Fui tomar um café com uma cliente e ela me fez uma pergunta que me deixou bastante pensativa: “Marcelle, você me acha uma mulher bem-sucedida?”. A primeira resposta que meu cérebro de ser humano reativo foi: “Ooooooi?? Para tudo!!!”. Claro que não respondi isso, respirei e ele (meu lindo cérebro) reformulou a resposta para a humana que estava a minha frente com olhar de quem esperava ganhar ou não o prêmio vida perfeita.

Minha resposta foi a seguinte:

Gata (falei o nome dela, que por questões óbvias não vou divulgar, mas a mesma me autorizou escrever sobre isso usando seu exemplo), defina pra mim o que é ser bem-sucedida no seu ponto de vista. A mesma me respondeu um baú de coisa que você mesma já deve ter feito na sua lista mental de ser quando crescer, coisas como: Um bom emprego, um bom companheiro, filhos bem-criados, beleza exterior, inteligência, prestígio social e blá-blá-blá. Todas nós, mulheres, conhecemos bem essa lista e só nós sabemos como isso tudo martela na nossa cabeça o tempo todo.

Depois que ela me respondeu, pedi que escrevesse tudo o que havia me dito em um papel. Feito. Pedi que marcasse quais dessas coisas ela possuía na sua vida. Poucas coisas não haviam na vida dela! Então, devolvi a pergunta: e com isso tudo você se sente bem-sucedida? Ouvi um belo e sonoro NÃO. Continuamos a destrinchar aquilo durante nosso café.

Fiquei pensando, quantas mulheres se sentem bem-sucedidas atualmente? Acho que pouquíssimas! Será que sentir-se assim é para poucas? Refleti mais um pouco sobre as respostas que ouvi no café, e depois fui lembrando de falas de mulheres referências na minha vida, como minha mãe, minhas tias, amigas e percebi que o maior problema não era a dificuldade em alcançar o sucesso, mas a formatação que esse sucesso tem, os parâmetros que nós aprendemos a colocar. São mil particularidades que o tornam inatingível.

Sente o paradigma: Uma mãe sofre por ter escolhido se dedicar aos filhos e inveja uma amiga que ela acha ser bem-sucedida, que trabalha o dia todo de roupa social e está sempre em reuniões com executivos importantes. Porém essa amiga invejada está pensando nos filhos que estão com uma babá torcendo para que sejam bem-educados, alimentados e acaba invejando a coragem daquela que está se dedicando à maternidade e pensa que isso é ser bem-sucedida na vida. Quem é a bem-sucedida de verdade nessa história? Nenhuma delas!

Nós, fêmeas, devido aos ensinamentos do machismo ao longo da vida, colocamos na nossa cabeça que temos que ter superpoderes e dar conta de tudo que a vida coloca com bastante habilidade, como se fôssemos equilibristas de circo rodando pratos nas varetas.

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Vou dar outro exemplo: A menina escutou de alguém que fulana era bem-sucedida porque, por exemplo, trabalhava feito louca de domingo a domingo e isso antigamente era privilégio masculino. Daí a menina cresce e tudo na sua vida é direcionado para ter a mesma vida de fulana. Não é que a fulana tenha virado o pôster de ídolo na parede da menina, mas aquele modelo que foi ensinado do que é ser bem-sucedida, ficou internalizado e passou a ser perseguido – e a fulana pode até nem ser lembrada mais nessa altura do campeonato. Só que nossa menina crescida começou a perceber que adorava pintar quadros, tirar fotografias enquanto viajava, também se apaixonou e quis morar com alguém. Mas a fulana não fazia nada daquilo, e isso tudo não cabe na rotina de sucesso que ela adotou inconscientemente para si. Então, ela começa a tentar dar conta de tudo e verifica que essas coisas novas que ela tanto gosta de fazer atrapalham seu propósito de vida perfeita e acaba fazendo tudo mal feito ou não fazendo. Não pinta muito, suas tintas secam de tanto tempo que fica sem pintar, seu/sua companheir@ está se sentindo só apesar de amá-la muito, sem contar as viagens não realizadas. Mas ela pensa: “Tudo bem, o trabalho me faz crescer”.

E eu pergunto, crescer pra onde?

Não tem problema nenhum em tentar dar conta do que te faz feliz, entende? Do que te faz feliz! A personagem do parágrafo acima tentou agregar um modelo que claramente não era para ela (trabalhar feito louca de domingo a domingo no caso) e juntar com as coisas que ela ao se descobrir percebeu que gostava, como: pintar, viajar etc. e tentou colocar isso na vida da “bem-sucedida”. Em suma, ela não abriu mão do seu trabalho em nenhum momento para ser feliz. Falando assim parece até que estou exagerando, só que não. Claro que isso ocorre ao contrário também, você viu sua mãe ser uma dona de casa dedicada a vida inteira e resolveu copiar o modelo dela. Daí descobre que sua praia é trabalhar com bolsa de valores, mas não o faz porque te ensinaram que mulher tem que priorizar o lar.

Dá no mesmo!

É isso que nós temos feito com nós mesmas, com nossas filhas, amigas, sobrinhas etc. Dando um modelo pronto que deve ser seguido que muda a cada década e colocando a felicidade, a realização pessoal em décimo terceiro plano. O resultado? Um exército de mulheres de personalidade perdida, infeliz, surtada pra dar conta do mundo enquanto ele desaba! Não sabemos mais o que é ser bem-sucedida e temos que ficar perguntando uma pra outra as vezes, aí a loucura fica completa porque o modelo de uma é diferente do da outra e no final vira uma frustração generalizada.

Para e pensa!

Ser bem-sucedida nada mais é (lá vem o clichê) que ser você mesma. De ter o dia a dia que te faz feliz e respeitar a escolha da outra. Somos privilegiadas sim, por darmos conta dessa loucura toda, pois desculpa aí, alguns (muitos e muitos) homens morreriam com nossa rotina (sem generalizar ok, alguns não são todos). Mas por sermos privilegiadas com essa habilidade ensinada estamos nos matando aos poucos, numa busca pelo sucesso que não chega. Falta sempre alguma coisa, porque nossa lista é infinita e feita para outra pessoa.

Depois de filosofar muito com meu sistema nervoso central, concluo que basicamente ser bem-sucedida é acordar de manhã e saber que está fazendo aquilo que nasceu para fazer e aquilo te fazer tão feliz, que você poderia ter aquela vida pra sempre. A mulher bem-sucedida se conhece bem, mas tão bem, que sabe com clareza o que é e o que não é para ela. Ela sabe bem aonde quer chegar e não sai abraçando tudo o que aparece e nem se pressiona a fazer algo que vai contra os seus objetivos.

Quando temos clareza de quem somos, quais nossas habilidades e o que nos faz feliz, conseguimos definir aonde queremos chegar em nossa vida.

É quando percebemos que um sacrifício ou outro para nos leva a algum lugar é válido e muito gostoso. Uma vida de sacrifícios sem um alvo, somente porque falaram que isso é o certo a se fazer, é vazia, em vão e faz tal sucesso virar fumaça.

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Marcelle Paganini
Marcelle Paganini

Marcelle Paganini participou da primeira turma de Formação em Coaching Psychology da Academia do Psicólogo. É sexóloga, admiradora e pesquisadora do universo feminino e LGBT. Atua com atendimentos individuais, cursos, workshops e produtos sensuais. Seu trabalho é voltado para o desenvolvimento prático da plena sexualidade de seus clientes. Atendimentos online e presencial.



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