Ocitocina E O Coaching

OCITOCINA E O COACHING: indo além do objetivo definido

INTRODUÇÃO

“Sinto que com o teu apoio posso ir muito mais longe.”

“Depois que começamos este processo, me sinto mais tranquila e focada naquilo que é importante.”

“Tua presença na minha vida me traz mais segurança para realizar meus objetivos.”

Todo profissional que se dedica a apoiar um cliente na concretização de objetivos já deve ter escutado estas ou similares frases de feedback.

E se tu és um destes profissionais e já escutou frases parecidas, PARABÉNS!

Quer dizer que o teu trabalho vai além de uma entrega ou resultado, ele proporciona uma conexão humana e genuína de apoio. O que gera um valor agregado altíssimo, mas principalmente, transforma de verdade o ‘mindset’ do teu cliente, pois estás estimulando quimicamente a mente dele.

EXATAMENTE, estimulamos milhares de sensações físicas e químicas quando estabelecemos uma relação de apoio com outra pessoa.

A maneira como estabelecemos conexão visual, física, sentimental, inclusive virtual (mensagens, e-mails, entre outros), através da fala, das palavras, o tom de voz que escolhemos, portar-se mais ‘profissional’ ou mais ‘natural’ influenciam reações físicas e químicas no coachee que vai responder de maneiras diferentes a estes estímulos, podendo facilitar ou dificultar a construção de uma relação de apoio real.

E entendo que um processo de Coaching bem-sucedido só é possível quando estimulamos específicos processos químicos no cérebro de nossos clientes. Sendo um deles fundamental para ir além do ‘objetivo definido’.

Vamos a ele.

NEUROTRANSMISSORES E O COACHING

Antes de mais nada, vamos explorar alguns neurotransmissores (responsáveis pela comunicação das células no sistema nervoso) de maneira bem simplória e acessível.

Quero trazer para esta discussão quatro incentivos químicos primários que evoluíram no ser humano com duas missões diferentes e correlatas: primeiro para sobrevivência e segundo para a cooperação.

E vamos utilizar a diferenciação de um dos meus autores favoritos: Simon Sinek em seu livro: “Líderes se Servem Por Último” (recomendo!). Ele explica da seguinte forma:

SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS ‘EGOÍSTAS’

São as substâncias do progresso, conectadas a autopreservação e à realização de tarefas.

  • ENDORFINA – comparada à um analgésico, mascara a dor e estimula a sensação de bem-estar;
  • DOPAMINA – responsável pelo sentimento de satisfação após concluir uma tarefa ou projeto importante. Estimula a sensação de progresso ou realização;

SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS ‘ALTRUÍSTAS’

São as substâncias que fortalecem nossos vínculos sociais e aumentam nossa capacidade de cooperação.

  • SEROTONINA – responsável pela sensação de orgulho, sentida quando outros demonstram afeto e/ou respeito por nós. Nos faz sentir mais fortes e confiantes;
  • OCITOCINA – descrita como ‘amor químico’. Estimula a conexão humana, a companhia de pessoas queridas e a sensação de pertença. É a substância que nos torna sociáveis.

E relacionando ao processo de coaching, facilmente identificamos que o estímulo da dopamina é um dos principais segredos para o sucesso do processo. Quanto mais o coachee experimenta a sensação de satisfação ao concluir tarefas e desafios, mais ele se engajará no processo e mais perto de seu objetivo ficará.

Um bom coach sabe estimular de maneira eficaz a dopamina em seu coachee.

De outra maneira, quanto mais experimentam a serotonina através da relação com seu coach de apoio e estímulo, os coachees se esforçam cada vez mais para ‘honrar’ esta relação. Se fortalecem e se tornam mais confiantes para atingir o objetivo definido, potencializando o processo de coaching.

Um coach diferenciado possui boa habilidade social para estimular a serotonina em seu coachee.

Mas CALMA, eu não quero que a gente pare por aqui. Quero ir além do ‘atingir o objetivo definido’ e falar sobre equilíbrio e saúde.

Nestes estímulos químicos por vezes (e acontece bastante) esquecemos que podemos influenciar em demasiado o cortisol (hormônio do estresse). Estimulamos a ‘luta’, o ‘combate’ e o ‘triunfo’, e isto, combinado a todas as outras ‘batalhas’ diária e rotineiras que nosso coachee enfrenta, pode levá-lo ao estresse.

E acredito que o segredo para manter um equilíbrio (químico) entre estes estímulos está na OCITOCINA.

COACHING E A OCITOCINA CONTRA O ESTRESSE E O CORTISOL

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Se tu és da área da saúde deve ter percebido que somos estimulados a aprender o máximo possível de técnicas para lidar com a saúde de outros seres humanos.

E deve ter descoberto na prática que todo este conhecimento auxilia e muito, no entanto, o grande diferencial ao lidar com pessoas está na nossa capacidade de conexão com elas.

Robert Waldinger é o psiquiatra responsável pelo mais longo estudo sobre felicidade já realizado. Em suas pesquisas ele constatou que uma vida feliz e saudável é construída com relacionamentos seguros e de qualidade (não com riqueza e sucesso). E o mais importante: que relacionamentos saudáveis funcionam como ‘protetores’ de nossa saúde física e cerebral.

Aqui está o TED dele falando sobre o assunto.

“Enquanto a ocitocina reforça nosso sistema imunológico, o cortisol o debilita.”

– Simon Sinek.

Ou seja, a ocitocina (amor químico), a conexão genuína que estabelecemos com outros seres humanos, nos proporciona sentimentos de calma e segurança, o que nos protege da característica viciante da dopamina (recompensa) e do aumento excessivo do cortisol (estresse).

Como coach, o que estás ESTIMULANDO nas relações estabelecidas com os teus coachees?

O que quero clarificar aqui é tanto a responsabilidade que possuímos como ‘apoiadores’, bem como a ferramenta extraordinária que possuímos em nossas mãos para promover saúde na vida de nossos coachees.

Somos capazes de proporcionar bem-estar, plenitude e felicidade em nossos coachees ajudando-os a atingirem objetivos importantes em suas vidas. E ao mesmo tempo, podemos contribuir com sua saúde física e mental oferecendo uma relação baseada na conexão humana genuína.

Conexão esta que pode perdurar uma vida toda!

SENDO ASSIM

O coaching pode (e deve) ir além de ‘atingir um objetivo’ ou ‘resolver um problema específico’. Deve fornecer um espaço seguro para estabelecer uma conexão humana saudável e genuína, de maneira que nossos coachees experimentem mais das sensações tão benéficas que a ocitocina pode oferecer.

E para tanto, um coach deve se empenhar não só no desenvolvimento de sua capacidade técnica, mas principalmente em sua habilidade social de se conectar genuinamente com outros seres humanos. Deve explorar sua capacidade de se expor vulnerável e estar presente como ser humano, além de profissional, em seus processos de trabalho.

O que não exige desconstruir totalmente o teu processo de trabalho. Basta, na verdade, que adiciones momentos (rápidos ou longos – tu decides) de verdadeira interação social, onde vocês possam conhecer e aprender mutuamente sobre o outro. Ou seja, focar não só no “objetivo definido”, mas também nos sentimentos de afeto, respeito e consideração que se formam enquanto vocês se conhecem mais profundamente.

Tenha certeza de que o coach também irá usufruir dos benefícios desta relação.

E acredito que desta maneira acabamos não só por estimular pessoas a concretizarem seus sonhos e conquistarem vidas mais plenas. Acredito que desta maneira acabamos por estimular pessoas a estabelecerem mais relações genuínas e com mais ‘amor químico’ em suas vidas de forma geral.

Por isso que a grande característica ‘toda poderosa’ do processo de coaching reside na profundidade da conexão estabelecida entre coach e coachee. É o quanto conseguimos colocar de nós mesmos (humano) na conexão que estabelecemos com o outro.

Mais do que objetivos alcançados, podemos ‘treinar’ formas mais saudáveis de se relacionar.

Nathassia Poliseni

Nathassia auxilia profissionais a se conectarem com seu propósito genuíno e promoverem uma vida mais autêntica, equilibrada e plena. É fundadora do 'Liderar com Propósito', Psicóloga-Coach graduada pela PUC-RS com especializações em Empreendedorismo e Inovação pela FACE-Escola de Negócios da PUC-RS, em Coordenação de Grupos pelo Instituto de Psicologia Social de Porto Alegre Pichon Riviere e em Coaching Psychology pela Academia do Psicólogo.

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