A psicologia é uma ciência com diversas facetas e que pode ocupar diversos espaços na sociedade. Neste texto eu falo da psicologia como uma profissão independente e inserida em um mercado. Isso não quer dizer que eu não respeite outras facetas e possibilidades, que vão desde a pesquisa científica até intervenções em psicologia social.

Todas estas maneiras da psicologia existir são importantes. Mas hoje estou falando para você, que está no mercado e usa esta profissão para viver e se realizar, como profissional e ser humano, buscando equilibrar seus sonhos pessoais com a construção de um mundo melhor.

Dito isso, já aviso: o artigo é grande. Boa leitura. 😊

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Phillipus Aureolus Theophrastus Bombastus Von Hohenheim, mais conhecido como Paracelso (com um nome desses, precisava de um apelido), foi um sujeito bastante inteligente. Nasceu na Suíça em 1493 e foi responsável por algumas das noções mais elementares que temos hoje na medicina. Mas ele foi muito mais que um médico. Dizem que era também filósofo, físico, astrólogo, botânico e ainda tinha um pezinho no ocultismo.

Nós psicólogos, de certa forma, devemos muito a ele. É que segundo estudos contemporâneos, foi ele o primeiro indivíduo a supor, com base em observações, que as doenças físicas poderiam ter suas raízes em determinadas condições psicológicas.

Mas Paracelso ficou famoso mesmo foi por cunhar uma frase, baseada em seus estudos toxicológicos, que é hoje usada para construir analogias e metáforas no mundo inteiro:

“A diferença entre o remédio e o veneno, é a dose.”

De fato, uma vacina nada mais é do que a doença injetada em uma dose tal que faça o corpo despertar anticorpos a ponto de reagir e, por sua vez, eliminar a própria doença.

Se a vacina for fraca demais, não funciona. Forte demais, ela pode matar.

Agora, o mais interessante é que, embora tenha sido elaborada no contexto da toxicologia, esta frase representa uma verdade universal:

“Cuidado de menos te deixa exposto, cuidado demais te paralisa.”

A psicologia, como ciência e prática profissional voltada à promoção de saúde das pessoas, é séria e cuidadosa em relação ao que entende serem preceitos éticos. Para isto, até construiu um código especial destinado a nortear o comportamento daqueles que falam e agem em seu nome.

O código, não se discute, é bom e necessário. Já a interpretação que muitos fazem dele, infelizmente não.

Eis aqui o paradoxo:

Embora o código de ética não impeça, em momento algum, o psicólogo de divulgar seu trabalho – na verdade ele até frisa a importância de promover saúde – a cultura geral que se formou entre os profissionais da área é a de que nada pode, senão o Conselho vai punir.

Fazer autopromoção, dar publicidade a seu trabalho, buscar ativamente estar em evidência, fazer marketing deliberadamente – todos estes são comportamentos vistos, no geral, com maus olhos. Há inclusive professores que dizem – com uma segurança que chega a emocionar – que “o bom psicólogo não tem nem cartão”.

Eu não sei exatamente de onde vem este pavor e preconceito que grande parte dos psicólogos tem com a divulgação. Mas o fato é que ele existe e norteia fortemente a atuação de muitos profissionais.

Os defensores desta visão (da não-publicidade com serviços de psicologia) chamam isso de ética.

Eu chamo de exagero e irresponsabilidade.

Mas, no fundo, confesso que consigo entender perfeitamente o raciocínio por trás da resistência. Ele pode ser definido por uma palavra:

Zelo.

E isso é bom. Em poucas classes profissionais se vê uma preocupação tão legítima com o respeito ao cliente quanto na psicologia. Na verdade, grande parte da atuação de nosso Conselho é no sentido de “proteger a sociedade de maus profissionais”.

Pois bem. Zelar é bom e necessário.

Mas em alguns casos, em nome de não se fazer o mal, acaba-se por diminuir as possibilidades de se fazer o bem. É quando o remédio começa a virar veneno.

E a psicologia, senhoras e senhores, está intoxicada.

Mas o que isso tem a ver com esta “zona” que virou o coaching no Brasil, hoje?

Na minha opinião, muita coisa.

O reverso da medalha.

O que se entende por coaching no mundo pode englobar uma miríade de coisas. Uma das definições mais “gerais” que encontramos é esta:

Coaching é uma forma de desenvolvimento na qual alguém denominado coach, ajuda um aprendiz ou cliente a adquirir um objetivo pessoal ou profissional específico através de treinamento e orientação. O aprendiz é por vezes denominado coachee”.

Coaching é uma prática bastante conhecida, por exemplo, nos Estados Unidos, antes mesmo de se tornar um “business”. Americanos são cheios de processos para tudo, e lá, por exemplo, não é incomum que um irmão mais velho assuma para si a responsabilidade de “ajudar” um irmão mais novo na aquisição de algumas habilidades.

Pela forma como a cultura deles funciona, muito focada na “auto-orientação”, essa ajuda nem sempre se dá “ensinando as coisas” de forma que o aprendiz tenha um papel passivo, e sim na forma de provocações que conduzam o aprendiz a um crescimento.

Este é apenas um pequeno background cultural, pra gente entender que antes de ser um negócio, o coaching é uma prática, digamos, informal, até doméstica. Citei o exemplo dos EUA mas podemos dizer que este “conduzir através de provocações” existe há milênios na história da humanidade.

Mais recentemente, coisa de pouco mais de uma década, o coaching, já em sua forma de “produto de mercado”, chegou ao Brasil, e logo começou a se transformar nessa bagunça que existe hoje, que vai desde coaching espiritual até coaching quântico e etc.

Note que o problema não é o coaching em si – inclusive você está lendo este artigo dentro do blog de uma formação em coaching; a diferença é que, neste caso, estamos falando do coaching como campo de estudo da psicologia – o problema é a enorme BAGUNÇA que estão fazendo com ele no Brasil.

Entenda o seguinte: coaching, quando bem feito e contextualizado, é uma prática séria e eficaz de mudança comportamental. O que estão “fazendo com o coaching”, em particular aqui no Brasil, isso sim, é uma irresponsabilidade.

No caso do coaching por aqui, o veneno está justamente num ponto contrário à psicologia. Psicólogos tem um, podemos dizer, “excesso de cuidado” ao divulgar o seu trabalho. Coaches em geral – hoje no Brasil – tem uma enorme “falta de cuidado”.

Como não existe regulamentação e qualquer um pode entrar na área, todo tipo de pessoa começou a surfar na onda, e como a concorrência fica cada vez mais maluca, os absurdos também são cada vez maiores.

Em muitos casos é sensacionalismo puro e irresponsável.

Resultado? Intoxicação. Não por excesso de zelo, mas por sensacionalismo. É o contrário do que a psicologia faz.

Junte a isso o fato de coaches – há exceções, ok? – não terem por trás de si uma ciência consideravelmente estabelecida como a psicologia, e temos essa ironia da vida:

Psicólogos, que costumam entender muito sobre comportamento humano, ficam calados sobre o que podem fazer, enquanto coaches, que costumam entender menos sobre comportamento humano, gritam seus serviços de forma alardeante.

Bizarro, não é?

Só que agora, como acontece em todo processo de intoxicação, a imagem do coaching está definhando, dia a dia, para desespero de muitos.

E a psicologia, com isso?

Ora, meus amigos, a psicologia pode estar diante de uma das maiores oportunidades de construir sua imagem no mercado, ser mais reconhecida como profissão e ao mesmo tempo proteger a sociedade de gente irresponsável.

Por quê? Como? Continue lendo.

Cai o Coaching lero lero, fica o mercado. (e o coaching sério, preferencialmente nas mãos dos psicólogos)

Não acredito que a imagem do coaching vai se esfacelar completamente a ponto de a prática cair em total descrédito. Até porque nos países desenvolvidos, tal prática está cada vez mais alinhada às políticas públicas de saúde.

Em muitas universidades de medicina dos EUA, por exemplo, é obrigatória a presença de um coach para os residentes. No entanto, me sinto seguro para afirmar que haverá um grande, um enorme golpe, de forma que as pessoas passem a ficar muito mais criteriosas ao contratarem estes profissionais.

Mas o que isso tem a ver com a “herança do coaching” que intitula este artigo?

É que, se você olhar bem, esta loucura toda teve um efeito colateral interessante: as pessoas passaram a considerar que serviços voltados à mudança de comportamento e autoconhecimento podem ser interessantes. O coaching não inventou esta demanda, mas a ampliou e a “tangibilizou” de forma excepcional.

Inclusive, me arrisco a dizer que, exageros à parte, o Coaching chegou a representar no imaginário coletivo tudo aquilo que a psicologia poderia ter representado (no caso da psicologia, com mais sobriedade e responsabilidade, é claro).

Mas por que a psicologia deixou aberto esse espaço, permitindo que gente com menos conhecimento sobre comportamento se apresentasse ao mercado de forma tão atrativa?

Um dos motivos é o preconceito em fazer parte do “mercado”, como se fosse possível existir como profissão fora dele. (Isso é o que muitos chamam de “zelo”, como disse acima)

O outro motivo é soberba.

Um dos grandes problemas da psicologia em termos de “como ela se disponibiliza para as pessoas, tem a ver com uma espécie de “nariz em pé” que toma conta de parte da classe.

Nas faculdades você encontra pessoas querendo ir para a docência, algumas querendo fazer “ciência pura”, e até mesmo as que caminham para o mercado de forma independente costumam não gostar de aderir a uma imagem que entendem como “populesca” ou rasa.

Por exemplo: se um psicólogo decide que quer trabalhar com “medo de dirigir” e para isso começa a se divulgar em redes sociais, falar sobre o assunto, fazer vídeos, dizer que faz este serviço; enfim, se ele chegar até as pessoas comuns, com linguagem comum, o que você acha que acontece?

Vários colegas aparecem pra chamar ele de raso, interesseiro, mau caráter e afirmar que ele está desrespeitando a psicologia por dar “diquinhas” na internet.

Psicólogos, em sua busca pelo entendimento do ser, muitas vezes ficam buscando solucionar questões complexas das profundezas da alma, quando muitas vezes o que as pessoas querem – ao menos o que percebem que querem – é aprender a dirigir sem medo, conseguir organizar sua rotina, saber conversar com o parceiro, não surtar no trabalho, e por aí vai.

Estas demandas, que você pode chamar de “bobinhas e utilitaristas” são as que fazem parte do cotidiano das pessoas, e foi justamente aí que o coaching entrou.

Psicólogos tem sim, repertório, tecnologia e capacidade para atender muitas demandas com as quais os coaches atuam, mas grande parte deles acham que são demandas “bobas”.

Bobo é você, que está aí sem clientes enquanto deixa espaço pra gente sem preparo fazer estrago na vida dos outros.

Vou ser bem direto: as pessoas já se convenceram de que investir em serviços de mudança comportamental pode ser algo bom, e agora já começam a perceber que muitos coaches talvez não sejam as pessoas mais sérias e preparadas para oferecer isso.

Quem teria este preparo, então?

Os psicólogos.

Mas espera aí? Psicólogo não é para gente louca ou que está sofrendo?

Pois então. Esta é a questão que permeia a cabeça das pessoas, pelo motivo que esbocei acima e que ratifico aqui: a psicologia não se apresenta como uma opção para questões simples, práticas e funcionais do cotidiano. E, às vezes, é o gancho destas questões simples e práticas que vai atrair a pessoa para um processo muito mais profundo.

Então, criatura, o que estou dizendo é que você pode sim, ter o prazer de explorar as profundezas do self humano e gerar integração no sujeito, mas o que vai atraí-lo para dar o primeiro passo nesta jornada pode ser o simples desejo de conseguir “organizar melhor sua rotina no trabalho”.

Só que, se quiserem aproveitar esta cultura de autocuidado e este desejo de investir em serviços voltados ao comportamento cotidiano, os psicólogos precisam mudar.

Não mudar sua ciência ou seus objetivos éticos, mas mudar sua embalagem e sua apresentação. Mudar a forma como se comunicam com a pessoas. Perder um pouco de sua aura de superioridade e começar a adotar formatos que façam com que as pessoas se interessem por aquilo que eles oferecem.

De que forma isto pode ser feito? De muitas maneiras, e vou escrever novos artigos sobre o tema. Mas aqui embaixo já menciono um ponto central.

Para que a psicologia, os psicólogos e seus serviços sejam percebidos como interessantes e desejáveis para o mercado, um passo relevante é fazer:

Publicidade Conectiva

Um dos pontos-chave de todo o meu trabalho, e que é a base do meu livro, é o conceito de dar publicidade ao seu trabalho com base nos resultados que ele pode gerar.

Veja bem, eu disse resultados que ele PODE gerar. E não resultados que ele VAI GERAR COM CERTEZA. Ok?

Funciona assim: em vez de mostrar para as pessoas apenas os aspectos técnicos do processo, é mais adequado se falar em melhoria, desenvolvimento, crescimento, pois isso gera uma conexão mais profunda com as pessoas.

Os psicólogos, mesmo os poucos que ousam aplicar uma pegada mais “publicitária” em seu trabalho, costumam fazer isto evidenciando técnicas e processos, e não os resultados esperados.

Mas vamos exemplificar de maneira que fique mais claro. Veja aqui alguns exemplos de divulgação com base em processos e técnicas (os nomes são hipotéticos).

Cartão de vistas: “Paulo Gonçalves| Psicoterapia Comportamental-Cognitiva| CRP…”

Anúncio de jornal: “Clínica Bem Viver – Psicoterapia e Orientação Vocacional| Juliana Ferreira CRP … Márcia Delgado CRP

Texto de website: “Psicoterapia para casais, abordagem fenomenológica. A abordagem fenomenológica é….”

O que há de comum nestes três anúncios aí em cima?

Eu te digo:

Eles são técnicos, frios, sem graça, sem emoção. Não dizem nada, não remetem a nenhum estado de melhoria, não evidenciam nenhum possível resultado. Na melhor das hipóteses, fazem referência a um processo ou técnica/teoria; na pior, assustam.

Agora vejamos exemplos de como seriam esses anúncios dentro da lógica que proponho:

Cartão de visitas: “Crianças emocionalmente inteligentes, adultos tranquilos e um mundo melhor | Joana Rodrigues, Psicóloga CRP…”

Anúncio de jornal: “Viver é mais do que existir! Você sabe o que um psicólogo pode fazer por você? Venha descobrir conosco!” (E a foto de uma pessoa de bem com a vida)

Texto de website: “Já imaginou como seria seu casamento se vocês conseguissem dialogar de forma mais saudável e inteligente? Você sabia que muitas vezes os problemas…”

Eis aí três anúncios que, em minha opinião, são muito mais adequados para despertar o interesse do público.

Notou que eles caminham um pouco para a linguagem que o coaching usa? O problema do coaching não foi seguir esta linha de raciocínio, o problema do coaching foi exagerar absurdamente nesta linha e em alguns momentos se propor a entrar em áreas para as quais não possui arcabouço teórico-prático sólido.

De novo, o problema está no exagero.

Mas voltando ao ponto, por que este tipo de publicidade é tão mais interessante para as pessoas?

Umas das razões é que estes anúncios não fazem menção exclusiva ao processo técnico, já que o cliente, em 99% das vezes, não entende tecnicismos e até se assusta com isso. Outra razão, e talvez a mais importante, é que são anúncios mais humanizados, que necessariamente remetem a um possível estado de crescimento e melhoria.

Este é um tipo de anúncio que faz o leitor pensar: “É mesmo, isto poderia ser interessante na minha vida”, ao passo que os anúncios anteriores, por não remeterem a nenhum tipo de resultado, não geram conexão.

E é justamente aqui que a coisa pega.

Embora eu considere este último bloco de anúncios mais adequado, alguns “defensores da ortodoxia”, dizem que na verdade eles são exagerados – talvez sensacionalistas – e que podem induzir o sujeito a procurar o profissional.

Um dos principais argumentos é o de que você não pode dar garantias de que as pessoas ficarão mais felizes. Também não pode fazer a ilação de que crianças emocionalmente saudáveis serão adultos mais tranquilos, ou de que o casamento vai ficar mais satisfatório após um processo psicoterápico… e com este tipo de anúncio, as pessoas podem acabar interpretando isso.

Tenho que reconhecer, é um ÓTIMO argumento.

Mas deixe-me, com todo respeito, tentar desconstruí-lo aqui.

(Se quiser beber água é agora, estamos engrenando).

Garantias, Convicção e Segurança Técnica

Embora certas ideias minhas possam ser estranhas a alguns psicólogos, creio que todos concordamos em um ponto:

A psicologia é uma ciência.

É uma ciência construída ao longo de décadas, que tem abordagens diversas, mas que possui práticas, processos e ferramentas de intervenção exaustivamente testados e comprovados ao redor do mundo.

Aliás, se não houvesse uma correlação comprovada entre os modelos de intervenção da psicologia e seus resultados, ela não poderia ser chamada de ciência. Mesmo as abordagens às vezes entendidas como menos “científicas” (como é o caso da psicanálise), por exemplo, possuem uma história clínica solidamente registrada, que está anos luz à frente de muitas falácias do coaching, por exemplo.

Por isso mesmo, me horroriza profundamente ver pessoas – psicólogos – tratando a psicologia como se ela fosse algum tipo de astrologia ou “achismo”. Gente que tem medo de apontar os benefícios de seu trabalho porque parece não acreditar neles.

Deixe-me te dizer uma coisa:

Se você não confia plenamente em sua capacidade de gerar resultados com seu trabalho, você não deveria sequer oferecê-lo.

Quando você ousa sustentar publicamente o título de psicólogo, mesmo sem fazer qualquer publicidade, o mínimo que espero é que você tenha total segurança técnica a respeito do trabalho que vai oferecer. E isso não tem absolutamente NADA a ver com garantias.

Quando você faz, por exemplo, um anúncio como este:

“Crianças emocionalmente inteligentes, adultos tranquilos e um mundo melhor!”, você não está dando garantias de nada.

Mas aí você pode dizer:

“Mas num anúncio assim você pode dar a impressão de estar dizendo que, se os pais levarem os filhos até você, eles provavelmente se tornarão crianças emocionalmente mais inteligentes e, consequentemente, adultos mais tranquilos.”

Claro que estou dando essa impressão. E na verdade este é o objetivo. Só que não há nada de ilegítimo e mentiroso nisso.

Deixe-me usar uma analogia que fica mais fácil de entender. Eis o seguinte anúncio de uma escolinha de esportes infantil:

“Crianças que praticam esportes: adultos saudáveis e um mundo melhor”

O que você me diz deste anúncio? Ele é mentiroso? Sensacionalista? Um engodo?

Que garantias eu tenho de que, se meu filho praticar esportes, ele vai ser um adulto saudável?

Absolutamente nenhuma.

Ainda assim, o objetivo do anúncio é, necessariamente, estabelecer esta correlação.

E isto não é um problema, porque o que dá sustentação à publicidade aqui não são garantias, é segurança profissional com embasamento científico.

Da mesma forma que a educação física é uma ciência voltada à promoção de saúde física, a psicologia é uma ciência voltada à promoção de saúde emocional/psíquica. Ambas são suportadas por um extenso, vasto, gigantesco corpo de conhecimento que se evidencia em estudos publicados aos quatro cantos.

Só que, em função de uma cultura muito particular, os psicólogos parecem desconsiderar isto, e passam a dizer que não se pode falar em “benefícios e resultados” sob o pretexto de não haver certezas.

Ora, certeza a gente só tem de que vai morrer um dia. A verdade é que se você for aplicar este tipo de escrutínio semântico a tudo que se apresenta, o mundo inteiro passa ser uma enganação. Quer ver?

  1. Venha passar suas férias na Bahia, você vai adorar! (Quem garante? E se eu achar uma m…?)
  2. Venha malhar conosco, sinta-se melhor e aumente sua expectativa de vida. (Quem garante, gente? Posso torcer o pé e me sentir pior. Aliás, posso até morrer amanhã.)
  3. Prove nossa deliciosa moqueca de badejo ao molho de camarões! (Deliciosa? Segundo quem? Você me garante?)
  4. Cuide de seus dentes, um sorriso saudável abre portas! (Abre mesmo? Me explica isso melhor…)

Estes anúncios aí em cima, todos focados em conexão emocional e vislumbre de benefícios, são considerados normais, mesmo quando tratam de saúde, como é o caso da educação física e da odontologia.

Mas quando a coisa é com a psicologia, aí não pode.

O problema é cultura.

Claro que nem todos que forem à Bahia vão gostar. Óbvio que eu posso malhar e mesmo assim não aumentar minha expectativa de vida. Bem possível que a tal da moqueca não me agrade, e mais possível ainda que, mesmo com dentes lindos de morrer, nenhuma porta se abra para mim.

Mas é preciso ser muito “espírito de porco” para achar que isso invalida a legitimidade destes anúncios, pois exceções existem em qualquer lugar.

Eis o ponto em que desejo chegar:

O fato de você não poder garantir que 100% de seus pacientes evolua, não é razão para você deixar de divulgar os benefícios e resultados esperados de seu trabalho.

Vamos fazer uma conta. Digamos que, de cada 10 pacientes seus, 3 não consigam, por razões diversas, evoluir em suas questões e apresentar alguma melhoria durante o processo. Isso é 30% do total.

A maior parte, 70%, apresentou resultados.

Agora me diga:

Você vai planejar sua comunicação em cima dos 70% que apresentaram resultados ou em cima dos 30%, que são a exceção?

Pois muitos psicólogos parecem pensar que, se houver uma mínima chance de que, em mil pessoas, UMA não consiga evoluir, não se pode falar em benefícios.

Com todo respeito, isso é ridículo.

Você não coloca um serviço no mercado com foco maior no que pode dar errado; você coloca pensando no que pode dar certo e se respalda em conhecimento científico para isso. Se a psicologia, em geral, não está convicta de que seus métodos funcionam – mesmo com exceções – ela não poderia nem se propor a mudar a vida de alguém.

O fato de existirem casos de fracasso em seu trabalho não é motivo para você deixar de acreditar que ele apresenta resultados, e que estes possíveis resultados devem ser mostrados ao público. Só porque os resultados não são “garantidos”, isso não quer dizer que eles não são a praxe.

Mas aí você psicólogo, preocupado que é, pode dizer: “Ah, mas por via das dúvidas, prefiro não anunciar benefícios e ficar quietinho, discreto.”

E é aqui que eu volto à questão colocada no início do artigo, para entrar na reta final de meu argumento.

Remédio Demais é Veneno

Ao contrário dos personal trainers e coaches da vida, nós psicólogos não costumamos ter uma fama muito positiva. Somos fortemente associados à doenças, patologias e loucura.

Fazer coaching é símbolo de status, contratar um personal trainer é sinal de boa consciência. Mas se você vai ao psicólogo, opa, alguma coisa não está bem.

As pessoas têm vergonha.

E por terem vergonha, não vão. Por não irem, muitas deixam de crescer emocionalmente e várias adoecem.

Agora junte a imagem extremamente negativa que a psicologia tem em relação ao público leigo, com a quase total falta de divulgação de seus benefícios através de campanhas e anúncios com viés emocional, e temos o cenário perfeito para que “treinadores emocionais” e coaches irresponsáveis – já disse que não são todos – façam a festa.

Inclusive, quem investe nestes treinadores emocionais e coaches, são pessoas com um maior nível de consciência e autocuidado, porque grande parte da sociedade, nem isso faz.

Por exemplo, a moça prefere comprar uma calça Jeans de R$250,00 do que investir em sua saúde emocional. O rapaz tem um corpo escultural, pois malha todos os dias, mas a cabeça está um lixo. O recém divorciado resolve adquirir um pacote caríssimo para o Caribe, a fim de sanar sua ferida emocional. A mulher de meia idade resolveu se alimentar melhor, comendo “organicamente”, mas não sabe digerir os imprevistos da vida.

As pessoas investem em tudo, mas geralmente não investem no comportamento. Aliás, não investiam, pois recentemente isso está mudando; mas aí, quando vão investir, quem elas procuram?

Com certeza quem está se apresentando de forma mais clara e objetiva.

Só que agora, como treinadores emocionais e coaches estão se queimando pelo exagero, em uma postura que tinha tudo pra ser saudável, o terreno está maravilhosamente aberto para a psicologia.

Aliás, no próprio campo do coaching, a psicologia está em vantagem.

Desde os anos 2000, vários departamentos de psicologia de universidades renomadas, especialmente as universidades de Sydney e Harvard, entenderam que a psicologia é a ciência que mais dá sustentação e embasamento ao coaching.

Assim, surgiu o que foi cunhado de “coaching psicológico” (coaching psychology).

Na Universidade de Lisboa, pra se ter ideia, até especialização sobre o tema já existe há anos. Aqui no Brasil, nós da Academia do Psicólogo desde 2016 trabalhamos com uma Formação em Coaching Psychology (que aliás você pode conhecer se quiser, neste link ao lado).

Já são mais de 500 psicólogos formados, que estão atuando como psicólogos-coaches e/ou agregando a metodologia do coaching, bem como suas ferramentas, à prática profissional do psicólogo em seus mais diversos contextos.

Aos poucos, nossa classe vai entendendo a importância de se abrir para o que o mercado deseja, sem com isso perdermos nossa ética. E sem com isso deixarmos a nossa tão amada Psicologia de lado. Pelo contrário, ao atuarem como psicólogos-coaches, nossa classe tem a oportunidade de maximizar nosso conhecimento e ampliar nossa visibilidade como psicólogos.

Só que nós vamos perder o bonde se não mudarmos a forma como falamos com as pessoas – aquelas que podem consumir nossos serviços.

Olha o ciclo da coisa.

As pessoas não investem mais em psicólogos porque não entendem o que fazemos. Por sua vez, não entendem o que fazemos porque não comunicamos isto de forma inteligente e envolvente. Nós não comunicamos isto de forma mais envolvente usando o argumento de que não podemos dar garantias, e no fim das contas as pessoas começam a achar que a gente só serve para bater papo, já que nunca mencionamos possíveis resultados. 😊

Em nome de sermos éticos e não darmos possíveis falsas esperanças a alguns, perdemos a chance de gerar reais benefícios a muitos outros. Sob o argumento de que “tal comunicação pode fazer esta pessoa imaginar que vai ter resultados”, abrimos mão de verdadeiramente gerar resultados na vida de muitas outras.

Isto é bizarro. É como alguém que, de tanto ter medo de morrer, não vive.

E é preciso viver.

A psicologia precisa, institucionalmente, assumir de vez o papel de educar as pessoas para o cuidado com a saúde emocional. Não da maneira fantasiosa que o coaching muitas vezes vem fazendo, mas de uma maneira que esteja serenamente equilibrada entre a ausência e o sensacionalismo.

Esta é a dose certa do remédio.

Nossos Conselhos, que são tão preocupados com o social, parecem esquecer que promover a psicologia como um serviço cujo consumo é benéfico, é também uma questão de saúde pública. As pessoas hoje sabem fazer quase tudo, o que elas não sabem é conviver e lidar com as próprias emoções.

Será que nós vamos mesmo olhar para isso tudo, do alto de nossa sabedoria e dizer:

“Que venham por conta própria, não nos cabe conscientizar”. (?) Ou “Se quiserem se entregar a charlatões, que o façam!”. (?)

Será que nosso papel como psicólogos, tanto quanto intervir no setting terapêutico, não é também o de educar as pessoas para que cheguem até este setting e cuidem melhor de sua saúde emocional?

Todas as mudanças e evoluções que o mundo tem experimentado acontecem por meio da educação. Foi assim com a higiene do corpo, foi assim com a prática de exercícios, é assim com a alimentação saudável. Por que não pode ser assim com a saúde psíquica?

E aqui entra uma questão ideológica fortíssima, que é o derradeiro tópico deste artigo. (Porque, vamos combinar, já ficou grande demais). 🙂

O Demoníaco Mundo Capitalista.

Todo mundo sabe que a psicologia no Brasil é uma área de conhecimento fortemente influenciada por uma perspectiva de inclusão e cuidado com o social.

E isso é muito bom!

Só que eu não acredito que esta abordagem esteja sendo feita da forma mais inteligente possível.

Eis a questão:

Por abominarem completamente a lógica de mercado, muitos psicólogos acham que inserir a psicologia dentro dela, como um serviço a ser consumido, é o maior dos sacrilégios sobre a face da terra.

Esta é, de fato, uma das linhas de pensamento por trás de toda a postura de “não-publicidade” que vemos ser espalhada em nosso meio, que deixou espaço aberto para essa desgraceira toda que estamos presenciando.

Só que esta visão, este pudor, embora faça todo sentido conceitualmente, se mostra contraproducente na prática, e eu explico meu ponto:

Nós vivemos em uma sociedade orientada para o consumo. Um consumo muitas vezes bobo, desenfreado e maléfico. As pessoas, desde o momento em que nascem e abrem os olhos, são praticamente programadas para comprar.

E elas vão comprar. (Você já viu a agenda do coach?)

Vão comprar o que que precisam, o que não precisam e até mesmo o que faz mal a elas. Roupas, celulares, viagens, carros, baladas, joias, comida cara, perfume importado, pé de frango gourmet, nomeie o que quiser.

Elas vão comprar MUITO.

Vão comprar porque foram ensinadas a isso, e também para preencher o enorme vazio que existe em suas vidas como consequência deste modus vivendi bizarro produzido pelos exageros sociedade de consumo.

Ok, constatado isso, eu te pergunto:

Em termos gerais, é melhor uma pessoa gastar três mil reais no mais novo iPhone – ou com o coach quântico transcendental – ou investir este mesmo valor com um psicólogo preparado?

Será que esta pessoa, consumista que é, ao começar a tomar contato consigo durante um processo de psicoterapia, por exemplo, não se tornará mais segura, congruente, alinhada, e assim passará inclusive a consumir menos bobagem para preencher a vida?

Não sei se existem estudos sobre isso, e vou procurá-los. Mas considero razoável supor que, quanto mais equilibrada emocionalmente uma pessoa estiver, mais ela irá valorizar o “ser” em detrimento do “ter”.

E isso me faz a levantar uma hipótese que provavelmente vai causar calafrios na espinha de muita gente:

Transformar a psicologia SÉRIA em um serviço de consumo, talvez seja, ironicamente, a forma mais inteligente de evitar a presença dos charlatões e talvez até criar uma sociedade mais saudável e menos consumista.

Atenção, eu não estou propondo uma “psicologização” da vida, como se um psicólogo fosse algo obrigatório. Não é questão de as pessoas precisarem de psicólogos. Ninguém realmente “precisa” de psicólogos.

Aliás, precisar mesmo, a gente não precisa de 99% das coisas da vida moderna. Com oxigênio, 2.500 calorias por dia, água e abrigo, a gente vive. A gente vive sem literatura, sem matemática, sem música, sem engenharia, sem netflix (esse, não tenho certeza).

Até sem medicina a gente vive.

A vida não é apenas sobre o que “precisamos para viver”, é também, e principalmente, sobre o que podemos desenvolver, conhecer e utilizar para ter experiências mais profundas, agradáveis, saudáveis e até mesmo confortáveis em nossa passagem pelo mundo.

A pergunta é: que tipo de crescimento nós podemos obter com a psicoterapia ou outros serviços oferecidos por psicólogos?

E aí as possibilidades são enormes. Claro que ao profissional cabe a ética de anunciar estas possibilidades sem forçar o trabalho nas pessoas. Mas falar, divulgar, dizer sobre isso, é legítimo e honesto. E o fato de você receber dinheiro em troca é apenas parte do sistema criado há milênios para organizar o crescimento da sociedade.

Sinceramente, entre as infinitas coisas das quais nós “não precisamos para viver”, a psicologia, junto com algumas outras áreas do saber, me parece estar entre as mais relevantes para a construção de um mundo mais profundo, inteligente e humano.

Por isso, sem o menor pudor, e considerando o mundo como ele é hoje(e não como gostaríamos que ele fosse), estou propondo que coloquemos os benefícios do nosso trabalho na vitrine, ao lado daquele iPhone, para as pessoas se darem conta de sua existência e poderem avaliar, de maneira sensata, o que preferem comprar.

Até os anos 1960 as pessoas comuns não tinham o hábito de se exercitar. Hoje, de tão difundido o tema, isso já é realidade para uma grande parcela da população, e os resultados tem sido impressionantes em termos de aumento na qualidade e expectativa de vida.

É claro que existem aqueles malucos que vão pirar em busca do corpo perfeito e sobrepor a estética à saúde. Mas não são estes que devem nos servir de parâmetro (esses podem ir ao psicólogo). O parâmetro é com base naqueles que encontraram um estilo de vida equilibrado e saudável.

A saúde física hoje é oferecida através de produtos e serviços que, quando consumidos de forma inteligente, são extremamente benéficos.

Assim deve ser, na minha opinião, com a psicologia.

As pessoas compram tanta porcaria por aí; por que não trazê-las para comprar algo que, sabemos, tem o potencial de tornar a vida delas muito melhor?

Preste atenção, para a frase mais importante deste texto: o espaço não vai ficar vago, ou você o ocupa ou gente sem a sua preparação e seriedade vai ocupar!

Mas aí você vai me dizer:

E quem não pode comprar? Que se dane? E a parcela pobre da população? E os que estão embaixo na cadeia?

Já escrevi outros artigos em que trato destas questões, mas vou sumarizar aqui:

Primeiramente, psicologia não é só psicoterapia. Há diversas formas de entregar seu trabalho e gerar melhoria na vida de pessoas com poucos recursos financeiros. Palestras, workshops, oficinas vivenciais, tudo isto pode ser consumido por um preço individual consideravelmente baixo.

Mas vamos além.

Quem disse que você precisa vender para todo mundo?

Venda para quem pode pagar, e se quiser, dê a quem não pode. Se você anunciar seus serviços com inteligência e trabalhar com estratégia, pode atuar 3 dias por semana cobrando de quem pode pagar, e dedicar outros 2 dias a atender com um preço simbólico.

É assim que você cuida de si mesmo e também devolve parte de sua prosperidade à sociedade.

Quer um exemplo deste equilíbrio?

Meu trabalho. Eu tenho um curso que custa R$1200,00, um processo de consultoria que custa cerca de R$300,00, e e um serviço de assinatura que custa 19,90 por mês.

Ainda assim, tenho muito, mas muito conteúdo mesmo, que ofereço de graça a vários psicólogos.

Óbvio que este conteúdo acaba ajudando na promoção de minha imagem e me ajuda a vender os produtos e serviços “pagos”, mas eu não o ofereço cinicamente como um cretino que só quer chamar a atenção dos outros para depois vender alguma coisa.

Eu ofereço também porque me importo, e porque sei que posso ajudar.

Temos que parar com este pensamento binário de: ou você é um mercenário querendo dinheiro ou é um filantropo querendo ajudar as pessoas. É este raciocínio mesquinho que impede a psicologia de crescer mais.

Sinceramente? Se o coaches não houvessem perdido a mão na ganância sensacionalista e entrado em áreas para as quais não estão preparados, a psicologia estaria ainda mais desvalorizada.

Sorte a nossa que eles meteram os pés pelas mãos, e de quebra ainda deixaram um espaço que podemos ocupar com responsabilidade.

E um último ponto: eu também não acho o capitalismo lindo, mas ele está aí, e enquanto não conseguimos torná-lo menos complicado e desigual, o melhor que a gente faz é aprender a se virar nele sem se machucar muito, oferecendo serviços de saúde àqueles que podem pagar, e doando nosso conhecimento e tempo aos que não podem.

Vamos parar de brigar com o sistema existente e começar a modificá-lo com inteligência e estratégia. Quando as pessoas passarem a entender e consumir mais os serviços de psicologia, as chances são de que teremos um mundo muito mais saudável emocionalmente.

Sem garantias, ok?

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Comentários
  • Aníbal Dantas - 04/05/2019

    Parabéns pelo artigo Bruno! Achei muito pertinente todas as discussões propostas, sou estudante do 10° semestre de Psicologia, e já percebo a importância e relevância de repensarmos sobre tudo isso. Grande abraço! Att, Aníbal Dantas

    Responder
  • Dinamar Carvalho Costa - 04/05/2019

    Muito bom teu material. Esclarecedor é motivador. Obrigada. Abraço.

    Responder
Bruno Soalheiro
Bruno Soalheiro

Bruno Soalheiro é psicólogo, pós graduando (MBA) em inteligência Competitiva e Inovação e Marketing, e autor do livro “Psicólogo Empreendedor, tudo o que você não aprendeu na faculdade”, usado como referência em cursos de psicologia no Brasil. Desde 2014 trabalha exclusivamente com educação empreendedora para psicólogos. Em 2015 fundou a Academia do Psicólogo, empresa de treinamento e educação focada em desenvolver o lado "mercadológico" da psicologia no Brasil, e em 2016, o Psico.club, a maior rede de conteúdo por assinatura para psicólogos e estudantes da área na América Latina. Gamer, fã de heavy metal e apaixonado por animais, atualmente mora em Belo Horizonte com seu cachorro Banzé e os gatos Oliver e Maia. Nas horas vagas implica com as pessoas, publica bobagens nas redes sociais se questionas sobre as origens do universo.



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